Instituto Paulista de
Déficit de Atenção

Distração, esquecimentos, desorganização... pode ser TDAH


A vida adulta exige muito das pessoas, em termos de assumir compromissos, conviver com outras pessoas e dar conta de exigências e pressões. E quando a pessoa se vê bombardeada por atrasos, bagunça interminável, promessas não cumpridas, adiamentos crônicos, distrações constantes e esquecimentos, é necessário investigar o que está acontecendo. Pode ser um caso de TDAH Adulto.

TDAH não é um problema exclusivo das crianças. Até 10 ou 15 anos atrás, vários profissionais de saúde ainda tinham uma concepção muito restrita do problema, especialmente sobre sua caracterização como um transtorno infantil. Hoje, aceita-se que cerca de metade daqueles que apresentaram TDAH na infância irão carregar o transtorno até a idade adulta - mesmo que ele não tenha sido detectado nem tratado. O contrário não ocorre - não existe TDAH em adultos, que não seja um prolongamento de sua versão infantil.


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Se você está descobrindo o TDAH agora, se teve identificação com os sintomas ou já faz tratamento, há boa chance que você tenha passado anos até entender o que acontece de fato. Você pode ter experimentado grande sensação de alívio por saber que suas dificuldades são devidas a um problema que tem nome, que pode ser tratado - especialmente, que não se trata de um defeito de caráter, uma falha pessoal ou uma incapacidade que não tem solução.



O importante agora é ter em mente que, independente de quanto sofrimento você possa ter enfrentado, o TDAH é um transtorno potencialmente manejável. Com uma melhor compreensão do que acontece (chamada de psico-educação), com apoio profissional, das pessoas importantes da sua vida, somado a pitadas de humor e leveza, é totalmente possível viver com qualidade e satisfação. Nunca é tarde para mudar, buscar uma vida melhor.


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Uma infância difícil (ou nem tanto)


Mesmo que o adulto com TDAH não tenha sido diagnosticado e tratado na infância, bem provavelmente não escapou das críticas e dos rótulos depreciativos, seja por parte da família, da escola ou dos colegas. O bullying sempre existiu, a única diferença para nossos tempos atuais é que agora ele tem nome; também não é mais encarado como apenas "coisa de criança".

Dumbinho, burro, vagabundo, encostado, folgado, encrenqueiro... Todas estas agressões deixam repercussões de longo prazo. Em outros casos, houve a felicidade da proteção de professores atenciosos, dos pais (da mãe, ajudando com as tarefas!) ou até mesmo de escolas pouco exigentes.


TDAH e a vida adulta


Conforme os anos passam, as responsabilidades e cobranças aumentam. O adulto se vê numa situação parecida com o malabares do farol de trânsito - várias bolas ao ar, todas ao mesmo tempo, a loucura de não poder deixar nenhuma delas cair... família, contas a pagar, pressões no trabalho, morar sozinho, ter ou não ter filhos, faculdade, pós-graduação ou concurso público...

Neste cenário, como se manter calmo, organizado e focado? Claro, todos passam por isto. Mas, para quem tem TDAH, lidar bem com tudo isto é praticamente impossível.

Em adultos, as manifestações do TDAH são um tanto diferentes da forma infantil - além disto, a combinação dos sintomas varia muito de pessoa para pessoa.



* Distração e dificuldade em manter o foco


Esta é a queixa mais comum - não conseguir permanecer focado, especialmente nas tarefas mais simples e cotidianas. Justamente pelo fato de falharem com as coisas mais triviais, aparentemente mais simples e fáceis, as queixas e críticas das pessoas ao redor se avolumam, ao mesmo tempo em que a autoestima e auto-confiança vão sendo progressivamente corroídas.


* Desorganização e falta de planejamento


Eu chamo esta combinação de "caminho para o caos". É um problema mais típico de adultos - em crianças, há maior suporte por parte dos adultos ou, pelo menos, cobrança menor. Com adultos, tudo é mais complexo - a começar pela própria vida. São as rotinas diárias, os cuidados com a casa, saúde, até mesmo com o carro ou com a bicicleta; contas a pagar, compromissos de estudo e trabalho, demandas da família, amigos com quem se precisa manter contato, para não mencionar o networking profissional.



Manter todas as coisas em ordem, escapando de ser tragado pela montanha de coisas que se acumulam... é por demais desafiador. A desorganização tem suas origens na dificuldade em selecionar quais as ações relevantes para a situação atual, quais as prioridades dentre tudo o que espera para ser feito, como dar seguimento nas ações e controlá-las passo-a-passo, equilibrando o tempo disponível com as demandas em aberto.


* Adiamentos Crônicos


Na minha prática profissional, este é uma das manifestações mais devastadoras para adultos (a outra é a dificuldade em manter os níveis de motivação e a repulsa por atividades potencialmente não-estimulantes). O adiamento crônico é algo que tem suas raízes no TDAH, porém que se estende muito além de um simples déficit neurobiológico. Justamente por isto, é uma das queixas mais desafiadoras no tratamento. A resposta ao uso de medicamentos é praticamente nula, para além da primeira fase de uso, quando o efeito costuma ser mais nítido.


O adiamento crônico é, para mim, a melhor expressão do TDAH como um transtorno neuro-psico-comportamental. Ela tem relação direta com hábitos disfuncionais de adiamento, que se consolidaram ao longo dos anos, em conjunto com dificuldade de enfrentamento e manutenção do esforço em atividades que induzem esquiva (escapar, deixar para depois), somada à distorções cognitivas de auto-engano (depois eu faço, vai dar tempo).



É um desafio enorme, mas que não pode deixar de ser enfrentado. Nos casos em que se mostra muito consolidado, é forte indicador que o tratamento deverá incluir Psicoterapia Comportamental, do contrário raramente se alcançarão os resultados esperados.


* Dependência por atividades intrinsecamente estimulantes


Esta é outra manifestação da falta de foco, menos pela distração (neste caso) e mais pela tendência a perder a motivação. Para mim, este é um dos dois problemas mais sérios para adultos - o outro é a tendência ao adiamento crônico.

O TDAH adulto tem, como uma de suas , alterações nos sistemas de recompensa. Atividades que tenham componentes repetitivos ou pouco estimulantes em pouco tempo se tornam intoleráveis, detonando a busca por maior estimulação - especialmente quando combinada com a impulsividade.


* Hiperfoco


O hiperfoco é uma das facetas menos compreendidas do TDAH. Apresenta-se como uma concentração excessiva, muitas vezes desproporcional à relevância do fato e inadequada diante das circunstâncias - atenção excessiva a detalhes pouco relevantes, certas atividades que parecem somente interessar à pessoa e especialmente tudo o que for muito estimulante.


Olhando de fora, parece que a pessoa é "viciada", tamanha a fissura com a atividade - pode ser um seriado de TV, redes sociais ou até mesmo escrever programas de computador (já aconteceu com vários pacientes meus, programadores de software). Para as pessoas ao redor, especialmente esposas ou mães, o hiperfoco é encarado como "egoísmo" ou preguiça para as coisas mais "nobres", como dedicar-se à família ou fazer a lição de casa (que sempre é chata).



* Agitação Física e Mental


A hiperatividade física tão característica das formas infantis do TDAH, desaparece em praticamente todos os casos de TDAH adulto. Quando ocorre, aparece como níveis bem elevados de energia, como em pessoas muito ativas, que não conseguem ficar paradas, tão pouco suportam atividades não-estimulantes. A agitação pode ser exclusivamente mental, com idéias desordenadas se sucedendo constantemente.

Eventualmente, pode sim existir um grau de inquietude - não conseguir ficar parado, precisar levantar - mas costumeiramente naquelas situações menos estimulantes, em que a pessoa sinta que precise fazer algo que não consegue aguentar - por exemplo, parar para ler um livro ou assistir uma palestra. É também possível haver movimentos repetitivos, como "tiques" - batuques, girar coisas, balançar pés ou mãos.


* Impulsividade e turbulências emocionais


Esta categoria de sintomas normalmente é mais comum nos adultos mais extrovertidos e agitados, ou com maior intensidade emocional - até mesmo forte ansiedade. A essência da impulsividade e falta de auto-controle é a não-inibição, ausência de filtro, quanto aos comportamentos, comentários e atitudes. A intolerância a demoras e impaciência é outra das manifestações possíveis.

A impulsividade se manifesta boa parte das vezes como um desajuste social - como aquela pessoa que não consegue ficar calada na hora certa, às vezes a "super-sincera"; que faz as coisas sem pensar apenas para poucos segundos depois se arrepender. Ou então se torna inconveniente, interrompendo os outros, fazendo comentários desnecessários.


Alguns dos adultos com TDAH tem, simultaneamente, alterações de humor que tornam complicado lidar bem com seus sentimentos, especialmente irritação, raiva, agressividade e frustrações. Justamente devido ao pobre auto-controle dos impulsos, podem ocorrer explosões de temperamento. Eventuais consequências sequer passam pela consciência antes do ato, portanto tornam menos provável o auto-controle.



TDAH Adulto - E agora, o que fazer?

Se você leu este artigo até este ponto, já deu o primeiro passo. O entendimento do TDAH - a Psico-Educação garante a você a compreensão básica sobre a origem das suas dificuldades, iluminando os caminhos a serem seguidos.


Com o suporte adequado, dos tratamentos disponíveis e estratégias que você certamente irá aprender, poderá fazer mudanças verdadeiras em sua vida. Apesar de não se poder falar em "cura do TDAH", é possível manejar os sintomas, de formas inclusive divertidas e criativas. Eu sempre ressalto às pessoas que me escolhem para fazer parte desta aventura de superação: Construir sua estória baseado em suas forças, tirando vantagem de seus talentos.



Se ainda não teve um diagnóstico formal, ou se já tentou tratamentos com ganhos insuficientes, é o momento de buscar um diagnóstico diferencial de excelência. O TDAH é tudo, menos um transtorno simples. As comorbidades - presença de mais de um transtorno são bem frequentes - mais a regra que a exceção. As mais comuns são a ansiedade, depressão, perfeccionismo, stress crônico e esgotamento - também conhecido como Síndrome de Burnout.


Há muito a fazer, inclusive por conta própria. Nem todos os casos demandam tratamentos externos, sequer químicos. Mas não deixe de conversar com um especialista, pelo menos para uma boa análise de quais seriam os melhores caminhos para você. Adultos com TDAH podem ganhar muito com diversas linhas de tratamento, incluindo Coaching Comportamental, Psicoterapia Comportamental-Cognitiva, Ginástica Cerebral - Brain Fitness e Estimulação Cerebral - Brain Entrainment, grupos e treinamentos de auto-ajuda, orientação vocacional, ou até mesmo uso de medicamentos.



Para saber mais

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Distração, esquecimentos, agitação, desorganização, baixo desempenho... não precisam ser para sempre.

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