Distração, desatenção no TDAH

Distração tem dois significados principais. O primeiro é diversão, lazer. O segundo é falta de atenção, pouca concentração. Distração, como diversão e lazer, tem sempre espaço em nossas vidas – ou é ao menos desejada. Já distração com sentido de pouca atenção ou concentração insuficiente é uma das queixas mais freqüentes, tanto em pais, crianças e jovens estudantes ou adultos. Neste caso, é comum pensar em TDAH - Transtorno de Déficit de Atenção, com ou sem hiperatividade.

Distração, desatenção e falta de concentração - O que isto tem a ver com TDAH?

Se distração / desatenção é dificuldade de concentração ou falta de atenção, quais seriam as causas? A capacidade de prestar atenção / concentração depende diretamente do funcionamento adequado e integrado de diversas áreas cerebrais. O cérebro está constantemente sujeito a um bombardeio de informações, provenientes tanto dos órgãos sensoriais (as origens mais conhecidas) quanto de sistemas internos de regulação orgânica (como sistemas de controle da postura corporal ou funcionamento metabólico).

Sabe-se também que a quantidade de informação que o cérebro recebe é muito superior à sua capacidade de lidar com ela – processá-la. Alguns especialistas estimam que o cérebro receba cerca de 40 bilhões de bits de informação por segundo, enquanto sua capacidade de processamento é limitada, cerca de 2 bilhões. Assim, é fácil concluir pela necessidade de filtrar ou bloquear boa parte destas informações.

Prestar atenção, essencialmente, significa inibir distrações, de forma flexível e de acordo com as necessidades de cada instante. No TDAH, estas capacidades estão prejudicadas.

Os quatro tipos de capacidades atencionais:

  1. Atenção Seletiva - É diretamente relacionada à inibição de distrações, representa a capacidade de focar em algum estímulo, ao mesmo tempo permanecendo insensível a outros – ou seja, concentrando-se em algum aspecto e, ao mesmo tempo, distraindo-se de outros.
  2. Atenção Sustentada - Refere-se à capacidade de sustentação do esforço atencional, mantendo o foco em uma mesma atividade ou estímulo por um período mais extenso. Concentração significa sustentação da atenção seletiva, inibindo distrações, por tempo prolongado.
  3. Atenção Alternada - Corresponde à capacidade de alternar o foco da atenção, a depender das necessidades do contexto, bem como retomar o foco da atenção após alguma interferência. Um bom exemplo é alguém trabalhando, que é interrompido por um telefonema e, ao seu final, retoma seu trabalho.
  4. Atenção Dividida - Corresponde à capacidade de focar simultaneamente dois ou mais contextos.

Todos os problemas com concentração / distração são TDAH?

Problemas com pouca concentração ou excesso de distração podem ser muito prejudiciais. Podem ser causados por transtornos específicos, como o TDAH – Transtorno de Déficit de Atenção / Hiperatividade. Contudo, o inverso não é verdadeiro - nem todas as queixas de distração ou pouca concentração são causados pelo TDAH / déficit de atenção.

Um dos grandes responsáveis pela atribuição dos problemas de pouca concentração / distração ao TDAH – déficit de atenção é o próprio nome deste transtorno. Para alguém que sofre com distração, é fácil concluir que seu problema seja "O" déficit de atenção. Esta simplificação pode ser prejudicial, se levar a um diagnóstico incorreto, impedir buscar ajuda ou encontrar o tratamento adequado. Leia mais sobre diagnóstico diferencial de TDAH, distração e dificuldades de concentração.

É incorreto dizer que pessoas que sofram de TDAH não tenham capacidade de prestar atenção ou de concentração. Pelo contrário, algumas delas podem se concentrar muito além do que é comum (boa atenção seletiva e sustentada), porém apenas diante de alguns tipos de estímulo – isto é chamado de hiperfoco. O fato de apenas alguns poucos estímulos e circunstâncias serem capazes de capturar o foco da atenção é que torna o hiperfoco problemático. Em outros casos, as maiores dificuldades podem estar na atenção flexível, que dificulta retomar o foco após interrupções.

As capacidades de atenção e memória de curto prazo estão entre as funções cognitivas mais suscetíveis à influência prejudicial de fatores internos ou externos. Isto torna ainda mais complexo buscar explicações para os problemas de atenção, em todas as suas formas: distração, dificuldades em sustentar o esforço, flexibilidade. Sabe-se que dificuldades são encontradas não apenas no TDAH – Déficit de Atenção, mas também em vários problemas e transtornos. É fundamental saber que há diagnóstico e tratamento para TDAH.

Concentração insuficiente e incapacidade em sustentar o esforço podem, por exemplo, serem causados por problemas / transtornos de aprendizagem (linguagem, leitura, escrita, matemática, etc.). A criança ou jovem pode sentir-se ansioso, estressado ou deprimido quando solicitado a fazer tarefas difíceis e desenvolver uma rota-de-fuga, desligando-se daquele mundo. O mesmo pode ocorrer em situações de forte pressão emocional. Alguns autores chegam a considerar o TDAH como derivado primariamente de comportamentos de esquiva de situações aversivas.

Preocupação excessiva, baixa auto-estima, ansiedade, perfeccionismo, medos em geral podem funcionar como atratores para a atenção e, portanto, prejudicar o controle voluntário e a inibição destes pensamentos negativos. Em menor grau, acontece a todas as pessoas. Porém, naqueles que já apresentam transtornos de ansiedade, depressão ou outros transtornos, ocorre com maior severidade.

Outros aspectos cotidianos também devem ser levados em conta, como cansaço, stress crônico, descanso insuficiente, sono de má qualidade, abuso de álcool, drogas ou outras substancias. Neste caso, dizemos que o problema de atenção é secundário (há outro problema anterior que pode explicar o comprometimento da atenção).

Pessoas com queixas significativas com concentração, pouca sustentação do esforço, dificuldades com memória e esquecimento freqüentes devem procurar avaliação de um especialista, para diagnóstico diferencial e posterior encaminhamento para um tratamento adequado.

Link para o artigo original: www.dda-deficitdeatencao.com.br/tdah/distracao-desatencao-concentracao.html - Escrito por Cacilda Amorim, Diretora Clínica do IPDA. Se copiar ou citar este artigo, mantenha esta nota e o link original.

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