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Artigos e entrevistas com Cacilda Amorim, Diretora do IPDA
Games auxiliam no tratamento de doenças (continuação)

Tecnologia cara

Bem difundido nos Estados Unidos e Europa, o biofeedback ainda é pouco usado no Brasil. Um dos motivos é o alto custo dos aparelhos e softwares, além da exigência de uma especialização. “Alguém que pretende trabalhar na área deve investir em torno de US$ 10 mil”, comenta a psicóloga Cacilda Amorim. Ela acrescenta que ter conhecimentos de neurociências e psicopatologias em geral, falar Inglês, fazer cursos no exterior e dominar a informática também são pré-requisitos.

O psicólogo Ivo Oscar Donner, membro da Associação de Psicofisiologia Aplicada e Biofeedback (AAPB) nos Estados Unidos, diz que existem inúmeros fabricantes espalhados pelo mundo, mas a tecnologia mais avançada vem do Canadá. Sobre os programas, ele explica que são como jogos. Existe atualmente até um software com interface que permite controlar qualquer console de videogame.

Quando começou, em 1994, ele lembra que só havia aparelhos dedicados a um tipo de biofeedback, chamados de standalone. Além disso, eram grandes, pesados e o tempo de resposta entre a ação executada pelo paciente e o feedback (resposta), mais longo. “A tecnologia computadorizada ajudou a popularizar e a tornar mais eficiente o método que, hoje, conta com resultados comprovados por estudos muito bem conduzidos em universidades de renome, como a de Montreal, Yale e o Royal College de Londres”.


Profissionais da área

A formação na área de saúde pode ser Psicologia, Medicina ou Fisioterapia, entre outras. “É fundamental para conhecer o processo desencadeado no interior do organismo e na esfera psíquica do paciente”, alerta Ivo Donner. Quanto ao uso somente das aplicações do biofeedback, o psicólogo ressalta que a técnica, em si, não cura. Quem se cura é o paciente, ao utilizar a técnica de maneira adequada, conduzido ou treinado por um profissional qualificado.

“Temos resultados positivos com várias patologias, com destaque para a insônia, cefaléia tensional, fobias, síndrome do pânico, bruxismo (hábito de ranger os dentes) e os distúrbios ansiosos, que apresentam índices de sucesso acima de 80%”. De acordo com a psicóloga Cacilda Amorim, essa técnica oferece resultados a médio e longo prazo.

Cada sessão custa, em média, entre R$ 80,00 e R$ 150,00, dependendo da modalidade. E o número de sessões pode chegar a até 60, por exemplo, para o tratamento de pessoas com déficit de atenção.


O que é Biofeedback

É uma técnica que permite a auto-regulação das funções fisiológicas e cerebrais. Durante os treinamentos, especialistas usam equipamentos e sensores que medem, por exemplo, a pressão sanguínea, os batimentos cardíacos, a temperatura da pele e os padrões elétricos cerebrais (neurofeedback). Softwares, parecidos com games, ajudam o paciente a modificar determinadas ondas cerebrais ou a controlar condições psicológicas ou físicas. O psicólogo norte-americano Neal E. Miller, em meados de 1960, realizou experimentos de condicionamento em camundongos, e notou que eles poderiam ser treinados a controlar voluntariamente suas funções autônomas.


Áreas utilizadas
- Psicologia: tratamento do estresse, distúrbio de déficit de atenção, do pânico, insônia, doenças psicossomáticas; treinamento de relaxamento e de aumento de performance (para atletas e executivos).

- Neurologia: recuperação pós-TCE (traumatismo crânio-encefálico), AVC (Acidente Vascular Cerebral); tratamento da enxaqueca, da cefaléia de tensão e de disfunções neuro-musculares.

- Cardiologia: tratamento da hipertensão essencial e treinamento da variabilidade da frequência cardíaca.

- Fisioterapia: tratamento da incontinência fecal e urinária, dor patelo-femural, pós-operatório do joelho, dor em membro fantasma e dor crônica das costas.

- Odontologia: tratamento do bruxismo (hábito de ranger os dentes), de nevralgia do trigêmeo e de distúrbios da Articulação Temporo-Mandibular (ATM).

- Ergonomia: ajuste ergonométrico em estações de trabalho e consultórios dentários; treinamento em atenção cinestésica no local de trabalho; diagnóstico e prevenção e tratamento das Lesões por Esforço Repetitivo (LER).
02/05/2006
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