Conectados a sensores, os pacientes são levados a um desafio: apenas olhando para a tela do computador, deverão controlar um programa, bem parecido com um game. Enquanto as ondas cerebrais estiverem dentro dos padrões estabelecidos, por exemplo, o paciente marca pontos e pode pilotar um avião ou fazer strike, como em um jogo de boliche.
"Ganhar ou se divertir não é o objetivo. O jogo serve para manter o paciente na tarefa", ressalta a psicóloga Cacilda Amorim, diretora do Instituto Paulista de Déficit de Atenção. Ela diz que esse tipo de ferramenta atrai principalmente os jovens e adolescentes. O tratamento com biofeedback não utiliza somente os games, há vários aparelhos que trabalham juntos. Para cada área, existe um sensor específico, que vai captar a frequência cardíaca, as ondas cerebrais ou a temperatura da pele. Essas informações, após codificadas e ampliadas, são transmitidas para um software de gerenciamento.
A aplicação mais complexa, segundo Cacilda, é a que trata do cérebro. No neurofeedback, uma modalidade do biofeedback, é possível medir as ondas cerebrais, como ocorre com o eletrocardiograma, e treinar a mudança de padrões. Pessoas com dificuldades de atenção e hiperatividade têm excesso de ondas lentas, explica. Nesse momento, os jogos e as telas animadas entram em ação. "Quando as ondas lentas estiverem abaixo do estipulado e as rápidas acima, a música toca ou o paciente consegue marcar pontos".
Não existe uma recomendação, como ficar calmo ou respirar fundo. Aos poucos, aprende-se a forma correta, conforme constatou a reportagem. "É uma musculação para o cérebro", resume a psicóloga, acrescentando que, ao longo do tempo, a pessoa se torna capaz de focar e sustentar a atenção de forma voluntária, sem depender de medicamentos.
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De acordo com Cacilda, além de ajudar na cura de patologias, executivos e atletas recorrem a essa técnica para o aumento de performance. Como exemplos, ela cita profissionais que necessitam ser capazes, em uma situação de bagunça, de manter o foco preciso ou aqueles que pretendem diminuir a sonolência ou a ansiedade.
Desde o início do ano, a estudante Maria Amália Cardoso, de 21 anos, faz tratamento para melhorar o foco nos estudos e controlar a ansiedade. "Sou muito desorganizada. Começo a estudar Matemática, não termino e já vou para outra disciplina. E ainda costumo esquecer o que aprendo". O resultado: ela está no quarto ano de cursinho, tentando uma vaga para a faculdade de Medicina. "No começo achei a técnica estranha, não conseguia ficar muito tempo olhando para o computador". Após oito sessões, Maria Amália garante que está mais confiante, as notas nos simulados melhoraram e o rendimento também.
O designer gráfico Marcos Akira Fujimoto, de 29 anos, já teve problemas no trabalho e nos estudos por causa da ansiedade. "Sentia uma falta de capacidade, medo de não executar uma tarefa no prazo. Não sabia lidar com a pressão". Há sete meses foi submetido ao tratamento. Primeiro, aprendeu técnicas para melhorar a respiração e, agora, participa de sessões de neurofeedback. Fã de games de corrida, ele conta que gostou do método. "A animação distrai e você acaba se acalmando. Hoje, tenho um controle melhor e estou mais focado".
É uma técnica que permite a auto-regulação das funções fisiológicas e cerebrais. Durante os treinamentos, especialistas usam equipamentos e sensores que medem, por exemplo, a pressão sanguínea, os batimentos cardíacos, a temperatura da pele e os padrões elétricos cerebrais (neurofeedback). Softwares, parecidos com games, ajudam o paciente a modificar determinadas ondas cerebrais ou a controlar condições psicológicas ou físicas. O psicólogo norte-americano Neal E. Miller, em meados de 1960, realizou experimentos de condicionamento em camundongos, e notou que eles poderiam ser treinados a controlar voluntariamente suas funções autônomas.
Áreas utilizadas
A Tribuna de Santos - 20/04/2006 - Por Sissi Pucariello
Programa Versátil e Atual - Rede Vida
Cacilda Amorim, realizando sessão de Neurofeedback no IPDA
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