Esqueceu? (...continuação)
ADULTOS: ESQUECIMENTO E DEPRESSÃO
Já nos adultos, o diagnóstico é mais complicado e o transtorno acaba dando lugar a outros problemas, como depressão, ansiedade e desorganização. "As pessoas acham que sou burra por conta desse distúrbio. Já fui até trabalhar com uma sandália diferente em cada pé", conta Sabrina Sato, ex-participante do "Big Brother Brasil" e que fez sucesso no programa "Pânico na TV".
Os especialistas contam que os adultos não desenvolvem o TDAH, mas sim carregam o distúrbio desde pequenos. "Mais de 50% dos casos em crianças acabam chegando à idade adulta porque não receberam tratamento ainda na infância", diz a psicóloga Cacilda Amorim.
O portador se retrai com facilidade, não consegue manter o foco da atenção, tem dificuldades para lembrar as coisas, além de apresentar excesso de energia. "Tenho um paciente de 26 anos, que desde os 19, já passou por 18 empregos diferentes porque não consegue se firmar em nenhum. Tem um outro que certo dia não estava conseguindo chegar ao meu consultório porque pegou o metrô na direção contrária do que deveria.Quando ele se deu conta do equívoco, desceu e pegou o metrô correto, mas deixou passar a estação em que deveria parar. Então teve que descer novamente e pegar outro metrô", revela Cacilda Amorim.
No TDAH na fase adulta, na qual é mais comum o uso de medicação, o neurologista frisa que é indispensável que a própria pessoa se dê conta do problema e possa discutir abertamente as dificuldades nas relações afetivas e no trabalho. "É uma forma de evitar a frustração sistemática de quem está à sua volta", afirma André Palmini. Organizar uma lista de tarefas diariamente e checá-la também é uma boa dica para ajudar a recuperar a concentração.
TEM CURA?
O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade infelizmente não tem cura, mas é possível amenizar os sintomas com tratamento medicamentoso e terapia. A medicação é estimulante e faz com que o córtex afetado volte a funcionar normalmente, diminuindo os sintomas e oferecendo ao paciente maior poder de concentração. Os medicamentos devem ser acompanhados por uma terapia comportamental, para que o paciente consiga desenvolver os comportamentos necessários para superar as dificuldades.
"A pessoa vai se ajustando à concentração de acordo com os medicamentos e a terapia comportamental-cognitiva vai trabalhar o autocontrole e ajustar o comportamento do paciente. A duração do tratamento varia de acordo com cada caso", afirma Ellen Assef. Cerca de 85% dos pacientes têm sucesso no tratamento, mas vale lembrar que os sintomas podem voltar futuramente, uma vez que o TDAH não tem cura.