Se fosse só energia acumulada, uma hora ele teria que apagar. Mas nada leva Leonardo Pirolo Konishi, 7 anos, a nocaute. Nem um dia inteiro de brincadeiras faz o menino dormir à noite. Quando levou um susto grande, então, aí é que o sono sumiu.
"Fiquei uma semana sem dormir", lembra Leonardo, depois de assistir ao filme "O Grito". "Quem dera fosse só uma semana....", diz a mãe do menino, Valéria Pirolo.
E o mais impressionante: mesmo sem dormir direito, o garoto não dava nenhum sinal de que fosse pifar – nem na escola.
"No meio da explicação de uma aula, ele simplesmente levanta, começa a cantar e correr entre as carteiras. Às vezes, ele até fica sentado, mas começa a cantar ou fazer barulho. A professora pede uma, duas, três vezes, e ele não atende", conta Valéria.
O diagnóstico dos médicos: Leonardo é hiperativo. A mãe rejeitou a idéia de tratá-lo com remédios e apostou na simplicidade de uma técnica de respiração para crianças com hiperatividade. O sono de Leonardo finalmente voltou.
"Agora ele me pede para ensinar as técnicas na hora de dormir. Então, eu digo para ele relaxar e fazer a respiração que a tia ensinou", conta Valéria.
A secretária Sueli Pontes agora respira aliviada. Mas, durante anos, conviveu com a sensação inexplicável de que algo muito grave aconteceria com ela. Era a Síndrome do Pânico.
"Cheguei a um ponto que, entre melhoras e pioras, eu fiquei dentro de casa. Não conseguia ir ao outro lado da rua. Isso foi dos 16 aos 39 anos, com crises freqüentes. Em algumas temporadas eu passava bem, em outras, tinha as crises", lembra Sueli. Hoje Sueli trabalha e tem uma vida normal. Mas para superar a Síndrome do Pânico, teve de reaprender a respirar.