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Cada vez mais especialistas oferecem tratamentos com equipamentos que lembram videogames para tratar doenças que vão do AVC à insônia

AMARÍLIS LAGE
DA REPORTAGEM LOCAL


O objetivo do jogo parece fácil: manter o avião voando em torno de uma ilha enquanto uma música suave toca. Mas a brincadeira logo se mostra mais séria. Em vez de utilizar um mouse ou um console, você precisa controlar o jogo com sensores ligados à sua cabeça. O avião só continuará a voar se as suas ondas cerebrais alcançarem um padrão pré-determinado. Parece impossível? Não é. Cada vez mais especialistas oferecem tratamentos com programas que lembram videogames e levam ao domínio de funções fisiológicas.

A idéia básica por trás dessas técnicas é a de treinamento: a cada vez que o corpo reage "certo", o paciente vê, imediatamente, o resultado positivo na tela do computador -daí o nome "biofeedback", termo que pode ser traduzido como resposta biológica.
Quem sofre de estresse, por exemplo, pode se deparar com um jogo de arco-e-flecha virtual, no qual só se ganham pontos se a musculatura estiver relaxada. O que o paciente vai fazer com tantos "pontos"? Nada. Mas, para o cérebro, isso já é o suficiente para estabelecer uma relação de recompensa.


"Começo a sessão e, quando vejo que a pessoa está bem calma, provoco: "como foi aquela briga com seu chefe?" Ela se contrai toda, os sensores captam a mudança e as flechas deixam de atingir o alvo. Aí ela tem de se obrigar a relaxar novamente", conta a psicóloga Cacilda Amorim, diretora do Instituto Paulista de Déficit de Atenção.

Com o tempo, a tendência é que a pessoa aprenda a controlar o corpo para dar a resposta fisiológica certa -mesmo sem ter a mínima idéia de como consegue fazer isso.

Com o tempo, a tendência é que a pessoa aprenda a controlar o corpo para dar a resposta fisiológica certa -mesmo sem ter a mínima idéia de como consegue fazer isso. "A gente não precisa saber descrever para saber fazer", diz Amorim.
O designer gráfico Marcos Fujimoto, 29, procurou o instituto em setembro do ano passado por sentir que seu raciocínio estava lento e a memória, fraca. O primeiro exame de "neurofeedback" mostrou que ele apresentava um excesso de ondas alfa (de baixa amplitude, associadas à sonolência). "Até abandonei um emprego por causa disso. Eu queria fazer mais coisas, mas não conseguia e ficava ansioso e estressado. Aos poucos, estou conseguindo diminuir a quantidade de ondas lentas", diz. Como? "Não sei explicar. Fico quieto, concentro-me no jogo e consigo."

A técnica também se aplica ao desenvolvimento de habilidades que, embora consideradas de fácil controle pela maioria das pessoas, são um obstáculo para outras.
Os jogos são muito utilizados, por exemplo, para tratar casos de insônia. No hospital Albert Einstein (SP), o "biofeedback" é aplicado principalmente na recuperação do aparelho nervoso central mas também foi adotado em terapias que buscam a reeducação do assoalho pélvico, o que ajuda pessoas com incontinência urinária.
20/04/2006
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