Tratamentos sem medicação para TDAH - É mesmo possível?
O primeiro aspecto que deve ser analisado é: o TDAH é um problema de base orgânica - ou seja, tem relação com padrões específicos de funcionamento cerebral. Contudo, isto não quer dizer que todas as dificuldades se reduzam a esta base orgânica. Deve-se levar em conta também que a intensidade do problema pode variar - dos casos mais leves até os mais graves. Finalmente, é preciso levar em conta que, uma vez que uma alteração orgânica relevante pode fazer parte do problema, como ela será incluída no plano de tramento.
O TDAH, hiperatividade e suas co-morbidades - e também grande parte de todos os problemas psiquiátricos - incluem componentes do funcionamento cerebral, como alterações químicas e fisiológicas, mas também fatores de risco ou de proteção, como o histórico de vida da pessoa e padrões de comportamento.
Um bom exemplo relacionado ao TDAH é: uma criança que seja portadora de TDAH com hiperatividade e que, ao mesmo tempo, está acima do peso desde muito cedo, é assediada por seus colegas de sala, sendo chamada de “baleia orca” ou ‘Free Willy” e que declara detestar a escola. O TDAH é parte do problema, com certeza. Contudo, é incorreto esperar que o caso será bem atendido apenas baseando o tratamento em medicação psicotrópica para a desatenção ou hipertividade, como a ritalina. Este caso é um exemplo no qual um componente não medicamentoso deve ser obrigatoriamente incluído no tratamento.
Há casos de TDAH que podem ser enfrentados apenas com tratamentos psicoterapêuticos, pedagógicos e com orientação dos pais, professores, etc. Isto é especialmente verdadeiro quando a intensidade do TDAH é pouco intensa ou as co-morbidade são muito intensas - especialmente ansiedade, auto-estima rebaixada, problemas de aprendizagem, dislexia e outros.
E quando é necessário tratar a base orgânica - as alterações de funcionamento do córtex pré-frontal? Sempre é necessário incluir medicamento psicotrópico / psiquiátrico e tarjas pretas? O tratamento da base orgânica não pode ser deixado de lado, especialmente se as queixas forem intensas.
A medicação com estimulantes, como a ritalina, é uma das alternativas para as alterações orgânicas. Porém esta não é a única alternativa. O Neurofeedback é um tipo de tratamento direcionado a alterar os padrões de funcionamento cerebrais, de forma natural e não invasiva. Ambos os tratamentos tem seus aspectos positivos e outros não tão positivos. A medicação tem efeito rápido, porém o efeito dura apenas o tempo em que a pessoa está medicada - em torno de 4 a 6 horas. Além disso, o tratamento com remédios não tem prazo para terminar. No caso do Neurofeedback, o tratamento é mais longo (pelo menos 6 meses) e os resultados não são imediatos - o lado positivo é que os efeitos são igualmente de longo prazo e se mantém mesmo após o término do tratamento. Veja mais sobre a comparação entre os tratamentos com Neurofeedback e ritalina.
Ou seja, há mais de uma alternativa para tratar o TDAH - não apenas medicamentos estimulantes. O importante é começar com um bom diagnóstico diferencial e um plano de tratamento, que leve em conta tanto as necessidades de curto e longo prazo - e a possibilidade de terminar um tratamento sem perder os ganhos adquiridos.