Instituto Paulista de
Déficit de Atenção

Como tratar TDAH sem medicação?


Há imensa preocupação em usar ou não medicação, quando se fala em TDAH. Afinal, trata-se de um tipo de droga psiquiátrica altamente controlada, com risco de provocar dependência, que é apresentada por muitos médicos e outros defensores como algo aparentemente inofensivo - tanto em termos de riscos de seu uso quanto pela duração "para sempre" do tratamento.

Igualmente, pela internet há muita informação completamente disparatada. Por um lado, grandes defensores da medicação - até mesmo médicos com currículos respeitáveis, que tratam o uso de longo prazo de medicação tarja-preta como algo trivial, comparando o TDAH a outras doenças físicas, como diabetes. Por outro, profissionais de saúde, também médicos com currículos igualmente extensos e representantes de entidades que questionam fortemente a "medicalização" da infância, da educação e da vida em geral.

Neste artigo, compartilharei minha maneira de encarar esta questão, fundamentada na experiência de mais de 12 anos no diagnóstico e tratamento TDAH e comorbidades com terapias não-medicamentosas.


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TDAH é um transtorno neuro-comportamental, não exclusivamente neuro-biológico

A dimensão orgânica do TDAH é um aspecto relevante da questão. Contudo, não é o único, nem sequer o mais relevante. O conhecimento clínico do transtorno e o acompanhamento de longo prazo dos pacientes permite ver isto claramente. Usar medicação é uma das alternativas de tratamento, porém não necessariamente a mais importante ou obrigatória.

Se o TDAH fosse, de fato, um transtorno exclusivamente orgânico, ele responderia de maneira muito melhor e mais consistente ao tratamento medicamentoso. O que observamos, ao contrário, é que a medicação tem o potencial para trazer ganhos à capacidade de concentração, de maior sustentação do esforço cognitivo. Ao mesmo tempo - e para a maior parte dos casos, isto não se reverte imediata ou simplesmente em melhora do quadro geral, no aumento das notas ou melhor desempenho no trabalho. A criança continua dando trabalho para fazer as tarefas, o adulto ainda deixa as coisas bagunçadas, pela metade ou adiando cronicamente.


Tratamentos sem medicação para o cérebro funcionar melhor

A explicação mais comum para o uso de medicamentos é estimular o funcionamento de certas áreas cerebrais. A própria categoria de drogas diz isto, em seu nome - são psicoestimulantes. Assim, qualquer alternativa que leve o cérebro a trabalhar melhor, a alcançar os padrões de funcionamento considerados "normais", terá efeito similar aos medicamentos.


O grande desenvolvimento da tecnologia abriu três novos caminhos para melhora das funções cerebrais - os softwares para Brain Fitness (Ginástica Cerebral), estimulação para Brain Entrainment, Biofeedback e Neurofeedback. Todos eles são potenciais aliados, eficazes em casos de TDAH, com potencial para aprimoramento cognitivo e alta performance em diversas áreas, da escola ao trabalho.



Alimentação

A primeira coisa a ser levada em conta, quando se quer um cérebro funcionando melhor, é que ele precisa ser bem alimentado e bem condicionado. Nutrição é essencial, provinda tanto da alimentação quando da irrigação sanguínea. Independente do que se diga, que uma alimentação pobre não causa TDAH, tão pouco uma vida sedentária - o que é rigorosamente verdadeiro, tratar o TDAH começa sim por melhorar os hábitos e o estilo de vida. Fazer exercícios aeróbicos, que aumentam a vascularização cerebral, consumir alimentos que garantem um fluxo regular de energia para o cérebro, evitando montanha-russa metabólica é um pré-requisito básico.


É uma fantasia imaginar que, para se tratar TDAH, basta uma pílula pela manhã. O cérebro precisa ser treinado para funcionar bem. Este é o milagre da neuroplasticidade. O cérebro se adapta àquilo que se exige dele, se torna mais capaz de realizar, conforme é colocado diante dos desafios. Da mesma forma como um treinador prepara adequadamente um atleta de alta performance, é possível levar o cérebro a padrões de funcionamento muito superiores, caso ele seja estimulado da maneira adequada. E o melhor: tudo sem uso de medicamentos.



Brain Fitness - Ginástica Cerebral

Um dos caminhos para condicionamento cerebral são os jogos de estratégia, de memória e de linguagem. Aqueles apenas um pouco mais velhos lembram do que as crianças costumavam brincar nos dias de chuva. Montar quebra-cabeças, trava-línguas, WAR, Banco Imobiliário - para não dizer Damas e Xadrez. Que criança brinca assim hoje em dia? Que criança treina memória, quando tem diante de si estimulações tão sedutoras e engajadoras, provindas das mais variadas "telinhas"? Fica esta dica para os pais - escolham as brincadeiras de suas crianças. É um dos melhores remédios naturais, para fortalecer a atenção, memória, velocidade mental; além de seguimento de regras, capacidade de resolução de problemas e amadurecimento em geral, como aceitar erros, perdas e resiliência diante de frustrações.

Ginástica Cerebral - Brain Fitness tem enorme potencial em treinar as funções cerebrais mais afetadas pelo TDAH - a concentração, memória de curto prazo e velocidade de processamento. Como existem sistemas computadorizados, inclusive online, permitem um sistema de treinamento muito estimulante, engajador e competitivo.

O ideal é realizar o Brain Fitness com acompanhamento, para ter certeza sobre quais são os melhores exercícios para seu caso, quando é o momento correto de aumentar o grau de dificuldade e também para evitar as desistências. Afinal, estamos todos (especialmente nossas crianças), num mundo em que todas as novidades são intrinsecamente estimulantes, e que em poucos instantes são deixadas de lado, diante do deslumbramento da última novidade.


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Brain Entrainment - Estimulação Cerebral

Os sistemas de Brain Entrainment são fundamentados na capacidade única do cérebro de ajustar seu funcionamento rítimico - os pulsos elétricos dos neurônios - à padrões de estimulação auditiva ou visual. A isto se chama FFR - Frequency Following Response. O Brain Entrainment é uma alternativa muito barata, rápida e eficaz de se conseguir um estado mental desejado - seja ele focado e alerta ou relaxado e criativo.

A pessoa permanece sob estimulação auditiva, visual ou de ambos por um período curto de tempo, entre 15 minutos e uma hora, que tem capacidade de levar o cérebro a alterar seu modo de funcionamento. O efeito não é de longo prazo, contudo é bem interessante, uma vez que é um procedimento completamente não-invasivo.

Apenas usar os sons que podem ser baixados da internet não costuma fazer diferença; esta é uma das maiores razões para esta técnica permanecer tão sub-utilizada. O ideal é obter programas individuais, baseados nas necessidades únicas, para melhores resultados.


Neurofeedback

O Neurofeedback é baseado numa interface cérebro-máquina, na qual o funcionamento cerebral é monitorado em tempo real. Esta informação proveniente dos padrões de pulsar neuronal é utilizada como base para criar sistemas de treinamento, tornando possível à pessoa aprender a controlar o próprio funcionamento cerebral.

A pessoa é conectada a sensores, que captam a informação cerebral e a utilizam para alimentar um software similar a um videogame. Conforme a pessoa consegue produzir um estado mental desejado - mais focado ou mais relaxado, conforme o objetivo do treino, ela ganha pontos. Os pontos tem a função de dar o feedback - assim, a pessoa sabe se "está fazendo certo", além de manter-se mais motivada em prosseguir.

O Neurofeeback é um procedimento já bastante reconhecido como eficaz, inclusive para o TDAH. As objeções ao seu uso são de caráter prático e financeiro. É um tratamento de alta tecnologia, que demanda sua aplicação por profissionais de elevada capacitação, bem como equipamentos bastante custosos, todos importados. Também, por ser um tratamento de longo prazo - no mínimo, 50 ou 60 sessões para resultados consolidados, tem um custo total bem elevado.

Há algumas pessoas, sem formação específica, que pretendem aplicar neurofeedback em casa, às vezes até mesmo alugar equipamentos para que sejam operados pelos pais ou familiares. Os resultados costumam ser precários, bem abaixo das promessas feitas.


Tratamentos Terapêuticos e Coaching

A Psicoterapia Comportamental-Cognitiva é a única linha de tratamento psicológico que comprovadamente traz resultados para o TDAH. É também muito eficaz para as comorbidades que usualmente acompanham o TDAH, especialmente ansiedade, depressão e stress crônico.


Diferente do que usualmente se pensa, o problema comportamental mais crítico do TDAH não é a desorganização, a bagunça e as promessas não cumpridas. Estas são apenas a ponta do iceberg, coisas que podem incomodar mais apenas por terem maior visibilidade. O que tenho encontrado clinicamente como os problemas mais críticos são o adiamento crônico, a quase incapacidade em suportar fazer coisas que sejam chatas e a tendência a responder automaticamente "não sei, não quero, não consigo" diante de qualquer situação que coloque um desafio ou que simplesmente precise ser feito.



Estes componentes comportamentais exigem uma intervenção psicoterapêutica muito forte e direcionada. Como são fundamentados em padrões crônicos de comportamento, muito consolidados, são altamente resistentes ao tratamento e à mudança. Por isto é tão comum encontrar, especialmente em adultos, casos de resposta ao tratamento medicamentoso que, nas primeiras semanas ou meses tem bons resultados, apenas para "deixar de ter efeito" dentro de pouco tempo.

A terapia é também indispensável para lidar com a ansiedade, depressão, stress crônico (também conhecido como Síndrome de Burnout) e baixa autoestima que freqüentemente acompanham o TDAH. Lembrando que pode haver tanto a sobreposição de sintomas quanto a comorbidade (para saber mais, leia o artigo sobre diagnóstico diferencial), o tratamento destas outras condições é necessário para que se tenha um efeito de sinergia, na qual os ganhos em paralelo se potencializam, criando resultados mais amplos e sustentáveis no longo prazo.

O Coaching é uma modalidade de tratamento mais indicada para adultos. Trata-se de uma estratégia colaborativa de resolução de problemas. No caso do TDAH, é indicada quando as maiores necessidades terapêuticas e déficits comportamentais já foram superadas, pois é baseada na capacidade do cliente em assumir uma postura pró-ativa, de testar, reavaliar e aprimorar novas maneiras de enfrentamento e superação das dificuldades.


Tratamentos combinados

Um bom exemplo relacionado ao TDAH: uma criança que seja portadora de TDAH com hiperatividade e que, ao mesmo tempo, está acima do peso desde muito cedo, é assediada por seus colegas de sala, sendo chamada de "baleia orca" ou 'Free Willy" e que declara detestar a escola. O TDAH é parte do problema, com certeza. Contudo, é incorreto esperar que o caso será bem atendido apenas baseando o tratamento em medicação psicotrópica para a desatenção ou hipertividade, como a Ritalina ou Concerta. Este caso é um exemplo no qual uma combinação de tratamentos - medicamentoso e terapêutico podem ser combinados no tratamento.


Há mais de uma alternativa para tratar o TDAH - não apenas medicamentos estimulantes. O importante entender que os problemas tem causas múltiplas, é começar com um bom diagnóstico diferencial e um plano de tratamento amplo, que leve em conta tanto as necessidades de curto e longo prazo - e a possibilidade de terminar um tratamento sem perder os ganhos adquiridos.


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Para saber mais

Distração, esquecimentos, agitação, desorganização, baixo desempenho... não precisam ser para sempre.

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