Neurofeedback e Ritalina - Como optar pelo melhor?

O conhecimento das alternativas é o pré-requisito para qualquer boa escolha. Especialmente na área da saúde, física e mental, é fundamenntal estar bem informado.

A Internet  é um meio excepcional para adquirir conhecimento sobre qualquer assunto. Na área da saúde, tem sido responsável por uma grande revolução. Hoje, não há como tratar aqueles que procuram por consultas como simples “pacientes” - pessoas passivas, que aceitam incondicionalmente as palavras dos grandes especialistas. Atualmente, os antigos “pacientes” são, na verdade, clientes exigentes e bem informados, em busca de serviços de qualidade e de parceiros, na direção de melhor qualidade de vida e mais saúde.

O Neurofeedback é uma técnica ainda pouco conhecida no Brasil. Muitos profissionais da saúde, mesmo médicos especialistas em TDAH, sequer ouviram falar dela. Nos Estados Unidos, há mais de 300 centros especializados oferecendo serviços, principalmente na área de TDAH, ansiedade e performance em geral.

Um aspecto que se deve considerar é: tanto a medicação - a ritalina é a alternativa mais conhecida - quanto o Neurofeedback são tratamentos dirigidos à base orgânica do TDAH, hiperatividade e/ou co-morbidades. Ambos foram desenvolvidos com este objetivo - reequilibrar as disfunções orgânicas, caracterizadas mais comumente pela hipofunção das áreas frontais.

Ambos são eficazes - produzem os resultados a que se propõem. Mas há diferenças importantes. Primeiro, o Neurofeedback é um tratamento completamente natural, sem contra-indicações ou efeitos colaterais desconhecidos. A ritalina é uma medicação psicotrópica, de uso extremamente controlado. Até onde se sabe, os efeitos colaterais conhecidos não são graves, mas há suspeitas que efeitos desconhecidos até o momento possam aparecer. Um exemplo muito conhecido e comentado é do antiinflamatório Vioxx, que por muitos anos foi campeão de vendas e prescrições e que foi retirado do mercado após muitos anos de uso, quando efeitos colaterais até então desconhecidos apareceram. Outro exemplo são as terapias de reposição hormonal para a menopausa, que descobriu-se serem fatores de risco para câncer.

Segundo, os efeitos do tratamento do Neurofeedaback se mantém por longo prazo, mesmo após o término do tratamento - o mesmo não ocorre com a ritalina: seu efeito dura apenas o período em que a droga está em ação, entre 4 a 6 horas. Se o tratamento é interrompido, todos os ganhos se perdem. Ou seja, o tratamento com a medicação é uma opção para a vida toda.

Ambos - Neurofeedback e Ritalina - tem comprovação científica. O Neurofeedback é reconhecido como técnica eficaz para TDAH pela maior associação internacional da área, com estudos que atendem aos critérios de controles experimentais mais rigorosos, entre eles grupos controle e randomização dos participantes entre os grupos (ver o material da AAPB sobre a comprovação científica do Neurofeedback). Há mais estudos envolvendo ritalina, em relação aos estudos com Neurofeedback. Contudo, deve-se levar em conta que os estudos com medicação são tecnicamente mais simples - e que estes estudos são generosamente financiados pela s indústrias farmacêuticas.

Uma diferença importante entre Neurofeedback e Ritalina - ou outrostratamentos medicamentosos - é o tempo para obtenção dos efeitos desejados. Quando não há efeitos colaterais ou necessidade de mudar de medicação, os efeitos dos remédios são mais rápidos. Já no caso do Neurofeedback, o tratamento é semelhante a exercícios em uma academia de musculação - é preciso praticar, praticar muitas vezes até que se note os resultados.

Quando se trata de escolher um tratamento de saúde, como mencionamos antes, a informação é o melhor remédio. Como discutido no artigo sobre tratamento sem medicação, há mais de uma alternativa para tratar o TDAH - não apenas medicamentos estimulantes. O importante é começar com um bom diagnóstico diferencial e um plano de tratamento, que leve em conta tanto as necessidades de curto e longo prazo - e a possibilidade de terminar um tratamento sem perder os ganhos adquiridos.
 
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